Por Gustavo Campos
Neste domingo, 2 de março, acontece a 97ª cerimônia do Academy Awards, o Oscar, apresentado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. A premiação homenageia os principais filmes, atores e técnicos da indústria cinematográfica.
Com isso, os holofotes se voltam para Ainda Estou Aqui, filme que conquistou indicações históricas e reacendeu o debate sobre o cinema brasileiro na maior premiação da indústria. Dirigido por Walter Salles, o longa concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres.
Opinião: O Brasil em clima de Copa
A indicação de Ainda Estou Aqui a Melhor Filme representa uma vitória para o cinema nacional e faz com que o povo brasileiro, cinéfilo ou não, entre em clima de Copa do Mundo. Em quase 100 anos de Oscar, esta é a primeira vez que um filme brasileiro concorre à principal categoria da premiação. O feito, por si só, já consagra a produção e a coloca em um patamar de destaque na história do cinema brasileiro, que não figurava entre os indicados desde Central do Brasil, há 26 anos — também dirigido por Walter Salles.
A narrativa e potencial vitória
Ainda Estou Aqui narra a história de Eunice Paiva, uma mulher que luta para encontrar o marido desaparecido durante a ditadura militar no Brasil. A força da narrativa, aliada à direção sensível de Walter Salles e à atuação impecável de Fernanda Torres, conquistou o público e a crítica, tornando o filme um dos favoritos ao Oscar.
Na categoria de Melhor Filme, a concorrência é acirrada, com produções de peso como O Brutalista e Anora também na disputa. No entanto, o impacto emocional de Ainda Estou Aqui e o contexto político global podem pesar a favor do filme, que aborda temas como memória, justiça e direitos humanos.
O Oscar de Melhor Filme Internacional
Na categoria de Melhor Filme Internacional, Ainda Estou Aqui compete com produções de diversos países. A relevância do tema abordado e a recepção positiva da crítica podem garantir a estatueta para o filme brasileiro, mas a disputa segue imprevisível. Ainda assim, críticos brasileiros mantêm um olhar otimista, principalmente devido à campanha bem-sucedida do longa em comparação com seus concorrentes.
A crítica de cinema Isabela Boscov destacou o favoritismo do filme ao afirmar, em entrevista ao Jornal da Globo:
“Ainda Estou Aqui está concorrendo com Ainda Estou Aqui.”
Um legado para o cinema brasileiro
Independentemente do resultado no Oscar, Ainda Estou Aqui já deixa um legado para o cinema brasileiro. O filme coloca o Brasil em evidência na maior premiação da indústria, abre portas para novas produções e inspira uma nova geração de cineastas.
Além disso, a atuação de Fernanda Torres tem chamado atenção no circuito internacional de premiações, destacando-se não apenas por seu talento, mas também por sua personalidade carismática e bem-humorada. Não seria surpresa se sua performance no filme lhe rendesse convites para produções internacionais no futuro.
